Filosofia
Stanislas Breton: PHILOSOPHIE E MYSTIQUE
A fecundidade do pensamento é a expressão que ele se dá de seu ser e de seu agir como generosidade difusiva de si. Mas esta expressão nada tem de egoísta. Pois ele é, essencialmente relação, com os humanos como com as coisas. Mas esta relação exige, como toda relação, um fundamento. Este fundamento não é outro senão um certo traço, essencial ou não, que permite unificar o múltiplo dos singulares, aos quais o verbo-conceito faz necessariamente referência. É que, como lembra Tomás de Aquino, em um texto da Suma Teológica (I, q.85, a.4), «o múltiplo enquanto múltiplo não poderia ser pensado, não pode o ser senão sob o modo da unidade». É preciso portanto que os singulares visados pela referência sejam unificados, previamente, por uma determinação, qualquer que seja sua natureza, que permite à referência sua relação intencional à pluralidade dos singulares. Em resumo, o verbo-conceito deve ter uma compreensão para que possa beneficiar de uma extensão. Ora não há compreensão senão por uma determinação que seja a mesma, enquanto determinação, em cada um dos indivíduos, e que, por aí mesmo, não poderia ser nem um indivíduo, nem uma coleção de indivíduos. Ora é esta condição enigmática do verbo mental que suscitou, ontem como em nossos dias, as mais vivas reticências. É precisamente porque o sentido imanente ao verbo-conceito não é nem um singular, nem um existente, que se tenha negado a ele toda consistência para reduzi-lo a uma ilusão, ou à sombra de um fantasma. E em verdade, qual estatuto ontológico pode-se conceber para estas formas de verbo mental que são as «proposições» da lógica, sobre as quais portam nossos juízos? O que é este «complexo significável», este enunciável que será objeto de enunciação, que não é portanto um ato, tudo nele sendo necessariamente pressuposto?